Além do Segredo
Capítulo 3 – Vozes do Passado
Leonardo congelou ao ouvir a voz sussurrada ecoando pela casa de Cora. Seu instinto lhe dizia para correr, mas sua curiosidade o impedia de dar um passo para trás. A sala estava mergulhada em penumbra, iluminada apenas pelas velas que tremulavam de forma estranha, como se reagissem à sua presença.
Ele se aproximou da mesa e pegou a fotografia antiga. Ao examiná-la mais de perto, notou um detalhe aterrador: ao fundo da imagem, uma silhueta indistinta, como uma sombra, se destacava na janela da casa onde agora vivia com sua família.
Seu peito apertou. O que isso significava? Quem eram aquelas pessoas? Por que os rostos estavam riscados?
Antes que pudesse processar tudo, um barulho de passos arrastados veio do corredor escuro que levava aos fundos da casa. Seu corpo ficou rígido.
— Cora? — chamou, a voz falhando levemente.
Nenhuma resposta. Apenas o som lento e cadenciado dos passos, se aproximando.
Seu instinto finalmente venceu. Leonardo deu dois passos apressados para trás e, sem pensar, virou-se e saiu correndo da casa, batendo a porta atrás de si. O ar frio da manhã o recebeu, mas o arrepio que percorria seu corpo não era por causa do clima.
Quando chegou em casa, Beatriz o esperava na porta, com o semblante preocupado.
— Onde você estava? Eu acordei e você não estava na cama!
— Fui falar com Cora... — Leonardo hesitou antes de continuar. — Só que ela não estava lá. Mas achei algo estranho na casa dela... Eu não sei como explicar.
Beatriz franziu a testa, desconfiada.
— O que você quer dizer com "estranho"?
Ele entregou a foto para ela.
— Isso estava na mesa dela. Olhe bem para essa imagem.
Beatriz analisou a foto e seu rosto perdeu a cor.
— Isso é a nossa casa... Mas quem são essas pessoas?
— Eu não sei — respondeu Leonardo. — Mas algo me diz que a gente precisa descobrir.
Naquela mesma noite, os acontecimentos estranhos na casa aumentaram. Carolina acordou chorando, dizendo que uma mulher de branco estava no canto do quarto dela, apenas observando. Miguel, por sua vez, afirmou ter escutado vozes murmurando palavras incompreensíveis pelo corredor.
E então, por volta das três da manhã, enquanto Leonardo e Beatriz tentavam acalmá-los, todas as portas da casa bateram ao mesmo tempo. Um estrondo ensurdecedor que fez o sangue deles gelar.
O que quer que estivesse ali, não queria apenas assustá-los. Estava tentando se comunicar.
Continua...

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