Além do Segredo

 




Capítulo 4 – Sussurros na Escuridão

A noite estava pesada, sufocante. Leonardo não conseguia dormir. O ar dentro da casa parecia denso, carregado de algo invisível, mas palpável. O relógio marcava 2h45 da manhã quando um som o despertou por completo.

Um murmúrio. Baixo, arrastado, como se muitas vozes sussurrassem ao mesmo tempo.

Levantou-se devagar, sentindo um arrepio percorrer sua espinha. O som vinha do corredor. Ele abriu a porta do quarto e deu um passo hesitante para fora. O corredor estava escuro, mas uma luz fraca vinha do quarto de Carolina.

Seus pés tocaram o assoalho de madeira, que gemeu sob seu peso. Ele se aproximou da porta semiaberta e espiou para dentro.

Carolina estava sentada na cama, os olhos arregalados para o canto do quarto. Seu lábio inferior tremia, e seus pequenos dedos agarravam com força o lençol.

— Filha?— Leonardo sussurrou.

A menina não respondeu. Apenas ergueu um dedo trêmulo e apontou para o canto.

Leonardo virou a cabeça devagar.

Ali, na penumbra, estava a silhueta de uma mulher. A luz fraca do abajur mal iluminava seus contornos, mas era inegável a presença dela. O vestido branco e comprido parecia flutuar, e seu rosto, obscuro pela escuridão, parecia virar levemente em direção a ele.

O coração de Leonardo disparou.

Ele piscou, e a figura não estava mais lá. Mas o murmúrio continuava.

Carolina soluçou baixinho.

Leonardo correu até ela e a abraçou com força. Seu corpo estava gelado, tremendo. No corredor, passos ecoaram — arrastados, lentos.

A porta do quarto se fechou sozinha com um estrondo.

A respiração de Leonardo ficou rápida. Ele sentiu um calafrio atravessar sua pele quando Carolina murmurou algo, quase inaudível, contra seu peito.

— Ela está dizendo alguma coisa, papai.

Leonardo se afastou levemente para olhar nos olhos dela.

— O quê?

Os olhos de Carolina se encheram de lágrimas.

— Ela quer entrar.

O ar ficou ainda mais pesado. Do lado de fora da porta, os murmúrios aumentaram. Eram vários, sobrepostos, formando uma litania incompreensível.

E, então, veio a batida.

Um som seco, surdo, repetido três vezes.

Toque. Toque. Toque.

Algo ou alguém estava do outro lado. Esperando para entrar.

Leonardo engoliu em seco. Ele se lembrou da fotografia que encontrara na casa de Cora. A silhueta na janela. A sombra que parecia observá-los. Aquilo sempre esteve ali, esperando. Agora, queria mais do que apenas ser visto.


Continue...



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