Além do Segredo
O som das batidas reverberou pela casa, ecoando como um trovão abafado dentro do quarto de Carolina. Leonardo sentiu o sangue gelar enquanto o silêncio que se seguiu parecia ainda mais aterrorizante do que o som anterior. Ele apertou a filha contra si, sentindo o corpo pequeno dela tremer.
Beatriz entrou no quarto de repente, os olhos arregalados.
— Você ouviu isso? — Ela perguntou, ofegante.
Leonardo apenas assentiu, incapaz de tirar os olhos da porta. Do lado de fora, o silêncio se prolongava, mas ele sabia que não estavam sozinhos. Havia algo ali, esperando.
Carolina soluçou baixinho.
— Ela está zangada, papai... — sussurrou a menina. — Ela quer entrar.
Beatriz olhou para Leonardo, a respiração acelerada.
— Quem quer entrar? O que está acontecendo?
Antes que ele pudesse responder, a luz do quarto piscou violentamente, jogando sombras contorcidas pelas paredes. O abajur explodiu com um estalo seco, fazendo Carolina gritar. Beatriz se encolheu, puxando a filha para si, enquanto Leonardo se virou para a porta.
As batidas voltaram. Mas desta vez, não eram apenas três.
Toque. Toque. Toque. Toque. Toque. Toque. Toque. Toque. Toque.
A insistência frenética das pancadas fez a madeira tremer. Algo estava tentando entrar. Algo que não devia estar ali.
Leonardo reuniu toda a coragem que tinha e, com a mão trêmula, girou a fechadura.
A porta se abriu sozinha, revelando o corredor escuro.
O ar estava frio como gelo. As velas que Beatriz deixara no corredor estavam apagadas, mas a silhueta estava lá. A mulher de branco.
Ela não se movia. Não falava. Apenas olhava.
Os olhos de Leonardo se arregalaram quando percebeu o detalhe mais aterrorizante.
Ela não tinha rosto.
Uma onda de tontura o atingiu, e o mundo ao seu redor pareceu girar. Então, as luzes se apagaram por completo.
E um sussurro veio da escuridão:
— Você me chamou... e agora não pode me impedir.
Continue...

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