Além do Segredo

 

Capítulo 16 – O Espelho Partido

O mundo virou de cabeça para baixo.

Carolina sentiu o ar sendo arrancado dos seus pulmões enquanto caía, atravessando camadas de sombras e vidro quebrado.

Por um instante, tudo foi silêncio.

Então, ela bateu no chão com força — mas não doeu.

Levantou-se devagar, os ouvidos zunindo.

O lugar onde estava era... estranho.

Parecia uma sala imensa, feita inteiramente de espelhos trincados, refletindo infinitas versões dela mesma. Algumas a olhavam de volta. Outras sorriam. Outras choravam.

E em frente a ela, de pé no centro da sala, estava "Leonardo".

Ele parecia... quase certo.

Mas os olhos dele — aqueles olhos eram errados.

Profundos demais. Vazios demais.

— Carolina — ele chamou, a voz saindo em ecos dissonantes. — Me reconhece?

Ela sentiu a pele arrepiar.

— Você não é ele — respondeu com firmeza, mesmo que seu coração doesse ao falar.

O Reflexo Deformado sorriu.

Não um sorriso de alegria.

Um sorriso de fome.

— Mas eu posso ser — disse ele, dando um passo à frente. — Basta você esquecer.

Atrás dele, os espelhos começaram a se contorcer.

Deles surgiam outras figuras — cópias grotescas de pessoas que Carolina conhecera, todas distorcidas.

— Junte-se a nós — sussurraram.

A cada passo que o Reflexo dava, o chão se despedaçava, revelando um abismo de névoa e vozes.

Carolina fechou os olhos, tentando encontrar algo dentro de si. Alguma força. Alguma lembrança verdadeira.

"Lembre-se quem você é."

A voz veio de dentro dela mesma.

Uma memória: Leonardo rindo ao sol. Beatriz contando histórias bobas na infância. O cheiro de verão depois da chuva.

As lembranças brilhavam dentro dela como tochas na escuridão.

— Eu não vou esquecer — disse Carolina, abrindo os olhos, agora cheios de uma luz nova. — E eu não sou sua.

O Reflexo rugiu — um som que fez as paredes de vidro estilhaçarem.

Os espelhos explodiram, os fragmentos cortando o ar em um turbilhão.

Carolina correu.

Não fugindo — mas em direção ao centro da sala.

Ali, no coração do espelho partido, brilhava uma rachadura diferente.

Uma rachadura viva.

Uma saída.

Mas o Reflexo a seguiu, sua forma mudando a cada segundo — ora Leonardo, ora Beatriz, ora algo sem rosto e sem nome.

Carolina saltou.

No momento em que tocou a rachadura, sentiu o mundo se despedaçar.

O Reflexo gritou atrás dela.

E tudo ficou branco.


Continue...

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