Além do Segredo
Capítulo 15 – Ecos de um Grito
Carolina recuou, os olhos arregalados.
As sombras se moviam como uma onda viva, se contorcendo em formas quase humanas — quase.
Beatriz agarrava o braço dela, os lábios tremendo sem conseguir formar palavras.
O menino quebrado deu mais um passo, seus pés mal tocando o chão.
— Venham conosco — ele sussurrou. — Aqui, ninguém sente dor. Aqui, vocês também podem esquecer.
Esquecer.
A palavra soou dentro da cabeça de Carolina como uma melodia doce, convidativa.
Por um momento, ela vacilou.
Talvez fosse mais fácil desistir... parar de lutar... deixar que tudo se apagasse...
— NÃO! — Beatriz gritou, rompendo o feitiço.
O eco do grito quebrou o espaço ao redor como vidro, fazendo as sombras hesitarem, as figuras retorcidas se contorcerem.
Carolina sacudiu a cabeça, voltando a si. O menino quebrado agora a olhava com tristeza — uma tristeza tão profunda que parecia vazar dele como sangue.
— Vocês não pertencem aqui — ele disse, e sua voz soou pesada, cheia de algo antigo. — Mas... já deixaram de pertencer lá também.
Atrás deles, o vazio se fechava, a rachadura que dava para o "outro lado" começava a sumir. Se perdessem aquele portal, ficariam presos ali.
Beatriz puxou Carolina.
— Precisamos correr! — ela arfou. — Antes que seja tarde!
Mas correr para onde?
O vazio era um labirinto. Cada passo podia levá-las mais fundo — ou direto para a boca do Vigia Sem Rosto.
Então Carolina sentiu.
Uma vibração.
Fraca, mas presente.
Como um chamado familiar.
Ela se virou.
Entre as sombras, uma figura se formava, mais sólida que as outras.
Leonardo.
Mas não o Leonardo que ela conhecia.
Seus olhos eram espelhos partidos.
E ele chorava.
Carolina deu um passo em direção a ele — uma ânsia de salvá-lo queimando dentro dela — mas Beatriz a segurou.
— Não é ele! — Beatriz gritou. — É o Reflexo Deformado! Ele quer te puxar!
Leonardo estendeu a mão.
Seus lábios se moveram.
Carolina leu.
"Me ajude."
O chão sob os pés dela começou a ceder.
O espelho do vazio se abriu, sugando tudo ao redor.
Os Quebrados gritavam, tentando se agarrar a qualquer coisa — às paredes, aos fragmentos de memória.
Carolina tinha segundos para decidir:
Pular para salvar Leonardo — ou correr para o portal antes que fosse tarde demais.
Beatriz a puxava com força.
O portal começava a se fechar.
O eco do grito de Leonardo atravessou o vazio.
E Carolina saltou.
Continue...

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