Entre o Bem e o Mal

 



Capítulo 4: A Primeira Fenda


A noite voltou antes do esperado.

O céu se cobriu com nuvens espessas, escondendo a lua e mergulhando o mundo numa escuridão incomum. Ventos gelados sopravam do norte, carregando sussurros que nem mesmo as bruxas mais velhas conseguiam decifrar.

Selene convocou o grupo ao antigo Salão de Pedra. As paredes encantadas vibravam com a presença mágica, tentando resistir ao desequilíbrio que crescia além das fronteiras do clã.

— Detectamos uma ruptura no véu — informou Morgath, sua voz rouca ecoando pelo salão. — Uma fenda entre este mundo e os domínios sombrios. Ela surgiu perto das Colinas do Esquecimento.

— Lugar simpático — murmurou Norman, cruzando os braços. — Aposto que tem flores.

— Tem ossos. Muitos. — respondeu Lilith, com um sorriso sombrio. — Eu conheço bem o lugar.

Selene se aproximou do mapa mágico, onde uma linha negra pulsava entre os contornos da floresta antiga.

— Umbra está tentando se expandir. Se essas fendas aumentarem, ele poderá atravessar livremente… e trazer criaturas com ele.

— Então precisamos selá-la — disse Norman. — Mas não com magia comum. Nem mesmo a de Selene será suficiente.

Lilith se aproximou, jogando uma adaga ritual sobre a mesa de pedra.

— Precisamos de três coisas para selar uma fenda da Umbra: um feitiço de luz ancestral, sangue de um laço quebrado… e um fragmento do outro lado.

Todos ficaram em silêncio por um momento.

— Um fragmento do outro lado? — Selene perguntou.

— Um pedaço da escuridão. Um eco. Um reflexo. — Lilith respondeu como se recitasse algo que ouvira há séculos. — E sim… isso envolve atravessar.

Morgath bateu o cajado no chão, encerrando a discussão.

— Vocês partem ao amanhecer.

--

Horas depois, nas Colinas do Esquecimento...

A paisagem era desolada. Árvores retorcidas, vento cortante e um silêncio pesado. Ao centro, a fenda pulsava como uma cicatriz aberta no tecido da realidade, exalando sombras líquidas.

Selene sentiu a Flor de Prata aquecer em sua mão. Norman preparava um círculo de contenção com runas antigas, enquanto Lilith observava tudo com seus olhos vermelhos brilhando na penumbra.

— Prontos? — Selene perguntou.

— Não. Mas vamos mesmo assim — disse Norman.

— Se alguém morrer, posso ficar com os pertences? — brincou Lilith, já avançando em direção à fenda.

A escuridão os envolveu.

E a missão começou.


Continue...

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