Entre o Bem e o Mal

 


Capítulo 7: Laços Quebrados


A tempestade que pairava sobre o clã não era feita de nuvens ou relâmpagos, mas de desconfiança.

Selene, acompanhada por Norman e Lilith, atravessava os corredores da fortaleza. As paredes, que antes transmitiam segurança, agora pareciam esconder sombras em cada canto.

— Ela conhece cada feitiço de proteção, cada túnel secreto — disse Norman. — Isso vai ser mais difícil do que encontrar uma agulha numa floresta viva.

— Eu posso invocar uma serpente rastreadora — sugeriu Lilith. — Mas ela tem o hábito de atacar aliados distraídos…

— Sem feitiços ofensivos por enquanto — cortou Selene. — Vamos fazer isso do meu jeito.

Eles se dirigiram à Torre do Oráculo, onde os ecos do passado podiam ser consultados. Com um feitiço de revelação, Selene invocou uma névoa prateada que flutuou no ar e, aos poucos, se condensou em imagens.

Irina, encapuzada, segurando um cristal negro. Chorando. Em frente ao espelho da lua.

— Por que você me abandonou? — dizia ela, num sussurro amargo. — Sempre foi a Selene, a escolhida… E eu? Eu dei tudo!

Selene sentiu o peso daquelas palavras.

— Ela está no Santuário Esquecido — concluiu Norman. — Aquele lugar... onde vocês treinavam quando crianças.

Selene fechou os olhos. Ela lembrava. Os risos. As promessas. Os feitiços bobos e os sonhos grandes.

Agora, tudo isso estava morto.

---

Santuário Esquecido – Horas depois

O lugar estava em ruínas, tomado por trepadeiras negras e símbolos profanados. No centro, Irina estava de pé, sozinha, cercada por uma aura escura que fazia a pedra ao redor dela rachar.

— Selene — disse ela, sem se virar. — Sabia que viria. Você sempre segue as regras. Sempre faz o que é certo.

— Irina… não precisa ser assim. Ainda há tempo.

— Tempo? — ela riu, amarga. — Tempo é o que vocês sempre tiveram. Eu fui invisível! Até para você, minha melhor amiga.

— Eu nunca quis te apagar…

— Mas apagou. Sem perceber. E agora… a Umbra me vê. Ele me deu poder. Ele me deu um propósito.

Ela se virou. Seus olhos agora brilhavam em um tom de violeta profundo, e veias escuras marcavam seu rosto.

— Saia da frente — disse Lilith, invocando duas adagas de sombra. — Ou vai se arrepender.

— Não. — Selene ergueu a mão. — Essa luta é minha.

Irina lançou um ataque de sombras. Selene invocou a luz da Flor de Prata. O choque de energias criou uma explosão que sacudiu o santuário.

— Você não entende, Irina! Ele está te usando!

— E você está presa a um destino que nunca pediu! — gritou Irina. — Somos duas prisioneiras, Selene. A diferença é que eu escolhi a minha cela.

Com um último gesto, Irina abriu uma nova fenda bem ali, no chão do santuário. Garras começaram a surgir do abismo.

— Ele vem. E eu serei sua voz!

Lilith avançou, mas Irina se lançou na fenda, desaparecendo nas trevas.

A fenda se fechou com um som surdo, como um suspiro de fim do mundo.

Selene caiu de joelhos.

Norman se aproximou, colocando a mão no ombro dela.

— Ela ainda sente algo por você. Isso pode ser a chave.

Selene olhou para o local onde Irina desapareceu.

— Não. Isso é o começo.


Continue...

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