Entre o Bem e o Mal

 








Capítulo 6: A Bruxa das Sombras


O fragmento da Umbra foi colocado em quarentena, isolado por runas antigas no centro do Santuário das Lamentações — um local escondido nas profundezas do clã, usado apenas em emergências mágicas extremas.

Selene observava a esfera pulsar, como se respirasse. Ela sentia… vozes. Sussurros. Ecos de segredos que não pertenciam a ela, mas que insistiam em ser ouvidos.

— Está tentando se comunicar — disse Norman, ajustando as runas. — Umbra deixou um pedaço da mente dele aí dentro. É perigoso, mas útil. Pode nos dar respostas.

— Ou nos envenenar por dentro — completou Lilith, que recostava-se na parede, entediada. — Vocês gostam de brincar com coisas que devoram almas, não é?

Morgath entrou no santuário com expressão grave.

— Recebemos um alerta. Uma segunda fenda surgiu... dentro dos próprios limites do clã.

Todos se viraram para ela, chocados.

— Como isso é possível? — questionou Selene. — As barreiras mágicas não deveriam permitir…

— A menos que alguém de dentro as tenha enfraquecido — disse Lilith, os olhos brilhando com malícia. — Alguém entre vocês… que serve Umbra.

Um silêncio pesado caiu.

— Alguém traiu o clã — murmurou Morgath. — E sabotou as proteções.

Norman se aproximou do fragmento. Seus olhos brilharam com magia por um breve instante. Então ele disse, num tom baixo:

— O fragmento sabe quem foi.

Ele colocou a mão sobre a esfera. Imagens começaram a projetar-se no ar, distorcidas e envoltas em névoa: o salão do clã… uma figura encapuzada… mãos traçando runas invertidas nas barreiras… olhos dourados…

— Eu conheço esses olhos — disse Selene. — Eles pertencem a… Irina.

Morgath empalideceu.

— Irina é uma das Guardiãs da Lua. Treinada por mim mesma. Ela jamais…

— Ela traiu vocês — interrompeu Lilith, com frieza. — E agora tem poder direto da Umbra correndo nas veias. Boa sorte com isso.

Selene respirou fundo, sentindo um nó no estômago. Irina era sua amiga de infância. Uma das poucas que sempre esteve ao seu lado.

— Ela deve ter um motivo. Talvez tenha sido enganada…

— Ou talvez ela queira destruir tudo isso tanto quanto a própria Umbra — disse Norman, sombrio.

Morgath olhou para Selene.

— Esta é sua decisão, líder. Irina está escondida em algum lugar do clã. Você precisa encontrá-la… antes que a fenda se abra completamente.

Selene olhou para a Flor de Prata em sua mão. A luz estava fraca. Como se também duvidasse do que viria a seguir.

— Preparar tudo. Ninguém entra ou sai do clã. E se Irina ainda estiver aqui… eu mesma vou trazê-la.

Lilith sorriu, satisfeita.

— Nada como uma caça às bruxas no fim do mundo


Continue...

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