Entre o Bem e o Mal
Capítulo 5: Além do Véu
Atravessar a fenda foi como mergulhar em um pesadelo feito de ecos. Tudo era distorcido. O chão oscilava como se respirasse, e o céu era uma massa de nuvens escuras, cheias de olhos que se abriam e fechavam em silêncio.
Selene sentiu a magia da Flor de Prata vibrar descontroladamente, como se o próprio objeto quisesse fugir. Norman murmurava encantamentos de proteção, mas até ele estava pálido. Lilith caminhava como se estivesse em casa.
— Bem-vindos à Fronteira Quebrada — disse ela com um sorriso enviesado. — Lar dos segredos que ninguém quer lembrar.
— Que lugar é esse? — sussurrou Selene, olhando ao redor. — Isso não é só uma fenda. É... um mundo.
— Um fragmento do domínio de Umbra — respondeu Norman. — Ele devora memórias, emoções, e as transforma em realidade distorcida. Se ficarmos aqui tempo demais, esqueceremos quem somos.
Enquanto avançavam, sombras humanoides rastejavam pelas bordas da trilha. Algumas choravam. Outras apenas repetiam frases desconexas. Uma delas, ao passar por Selene, sussurrou:
— A lua errou… A lua errou…
Ela sentiu um calafrio.
— Ignore — disse Lilith. — Aqui, até a dor mente.
Eles chegaram a um antigo altar retorcido, feito de ossos e metal derretido. No centro, flutuava um fragmento da Umbra — uma esfera pulsante de escuridão viva.
— É isso — disse Norman. — O fragmento. Mas está... preso.
— Preso em quê? — perguntou Selene.
A resposta veio em forma de um grito.
Do altar emergiu uma figura — feminina, flutuante, com traços reconhecíveis. Era Nyx. Ou o que restava dela.
Seu rosto estava coberto por uma máscara quebrada. Os olhos brilhavam em roxo, mas havia rachaduras de luz sob a pele sombria.
— Irmão… — ela sussurrou, estendendo a mão para Norman. — Ajude-me…
Norman deu um passo à frente, abalado.
— Nyx… você está... viva?
Ela sorriu. E então a máscara se rachou por completo.
— Eu sou TODAS as vozes agora.
A entidade avançou com uma força descomunal, sombras explodindo em todas as direções. Selene ergueu a Flor de Prata, formando uma barreira de luz. Lilith conjurou serpentes negras que travaram o avanço da criatura.
— Não é mais sua irmã, Norman! — gritou Selene. — Mas parte dela ainda luta!
Ele hesitou... e então avançou, cravando seu bastão encantado no altar. A esfera reagiu violentamente, emitindo um grito que parecia rasgar o ar.
A criatura recuou, gritando em agonia, e a esfera foi libertada.
— Temos o fragmento! — gritou Lilith. — Agora CORRAM!
O grupo fugiu pela trilha em colapso, enquanto o mundo desmoronava ao redor deles. Um olho gigantesco se abriu no céu, fitando-os com fome.
Eles cruzaram a fenda no último segundo.
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De volta ao mundo real…
O grupo caiu no chão úmido, ofegante. Selene ainda segurava o fragmento — que agora pulsava com uma mistura de trevas e luz.
— Isso… vai nos ajudar a selar a próxima fenda? — perguntou ela.
Norman olhou para o céu, onde a lua aparecia novamente entre as nuvens.
— Não. Isso vai nos mostrar o que Umbra realmente quer.
Lilith, com um sorriso torto, sussurrou:
— E talvez… quem está ajudando ele.
Continue...
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