Entre o Bem e o Mal

 


Capítulo 9: A Última Lua


As bruxas do clã estavam reunidas no Círculo do Tempo, um antigo salão subterrâneo onde estavam gravadas as Profecias da Primeira Noite, criadas pelas fundadoras do clã. Durante séculos, elas foram consideradas simbólicas. Metáforas. Agora, cada verso parecia gritar com verdade.

Morgath, com os olhos opacos de tanto escutar as vozes do tempo, lia uma inscrição recém-revelada pela rachadura no céu:

> “Quando a irmã da luz cair,e a noite falar com forma humana,uma lua de sangue anunciará o nascimento do fim.”

— É sobre Nyx — disse Selene. — Sobre a transformação dela.

— E sobre o que virá depois — completou Norman, com um grimório antigo em mãos. — Segundo este texto, quando a Lua Sangrenta surgir, o véu entre os mundos vai se rasgar completamente. A Umbra não vai mais precisar de portais… ele poderá caminhar livremente.

— Mas só se tiver um receptáculo perfeito — acrescentou Lilith, sentada no alto de uma pilastra de pedra, brincando com uma adaga. — Uma alma marcada desde o nascimento. Alguém ligado à luz… e à escuridão.

Todos olharam para Selene.

— Não… — murmurou ela, engolindo em seco. — Eu não sou esse receptáculo.

Morgath se aproximou com pesar nos olhos.

— Você é filha do eclipse, Selene. Nascida entre a última lua nova e a primeira cheia. Parte da luz, parte da sombra. O equilíbrio… mas também a porta.

O chão pareceu desaparecer sob os pés dela. Todas as lutas, os treinamentos, a liderança… tudo a estava preparando não para vencer — mas para segurar Umbra dentro de si.

— Então meu destino é... morrer? — ela sussurrou.— Seu destino é escolher — respondeu Morgath. — Há um feitiço. Um ritual antigo, proibido. 

Você pode selar Umbra dentro de si e depois... desaparecer com ele. Para sempre. Ou...

— Ou? — Norman perguntou.

— Ou encontrar outra alma disposta. Outra filha da lua. E transferir o selo.

Silêncio.

Lilith riu, sombria.

— Acho que a escolha vai doer de qualquer jeito.

Selene olhou para o céu através da abertura do santuário. Lá em cima, a lua começava a tingir-se de vermelho.

A Lua Sangrenta havia começado a nascer.

Ao longe…

Nyx observava de cima de uma montanha coberta por névoa. Ao seu lado, Irina, completamente consumida pelas trevas, murmurava cânticos de evocação.

— Ela sabe agora — disse Irina.

— Sim — respondeu Nyx

— E a escolha dela... será o início da nossa vitória.


Continue...

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