Entre o Bem e o Mal
Capítulo 11: A Despertada
A cidade de Ventúria dormia sob o céu escarlate. As ruas silenciosas refletiam o brilho antinatural da Lua Sangrenta, e as sombras pareciam mais densas do que o normal, como se estivessem ouvindo algo.
No alto de um prédio antigo, Kaela acordou com um grito que não era seu.
Ela sentou-se ofegante, os olhos arregalados, o coração batendo fora do ritmo. As paredes do pequeno quarto estavam cobertas por desenhos que ela mesma fazia em sonhos — símbolos circulares, olhos sem pupilas, luas partidas ao meio.
Mas agora havia algo novo em seu braço.
Um símbolo queimava em sua pele: três luas entrelaçadas por um traço diagonal. Um selo.
— O que está acontecendo comigo? — murmurou, tentando apagar o traço com as mãos, em vão.
Kaela nunca soube quem era sua mãe. Fora criada por uma senhora muda, que desapareceu no dia em que ela completou quinze anos. Desde então, vivera sozinha, escondida, sentindo-se sempre... diferente. E agora, algo dentro dela parecia ter despertado — uma energia ancestral que sussurrava nomes e lugares que ela nunca ouviu antes.
— Selene... — disse, sem entender de onde vinha o nome.
A janela do quarto estourou de repente. Um corvo negro entrou, pousando no parapeito. Trazia algo nas garras: uma pedra lunar envolta em fios de prata. Assim que Kaela tocou o objeto, visões a invadiram:
O Círculo do Tempo.
Uma mulher de cabelos prateados, em pé sob a Lua Sangrenta.
Uma entidade sem rosto, com olhos por todo o corpo, observando-a do vazio.
Kaela caiu de joelhos, ofegante.
— Eles me encontraram…
Enquanto isso, no Círculo do Tempo…
Selene sentiu uma fisgada no braço. O mesmo selo brilhava em sua pele agora — quente, latejante.
— Ela sentiu o chamado — disse Morgath. — A linhagem está viva.
— Então ainda temos uma chance — afirmou Selene, determinada.
Lilith sorriu.
— Ou duas condenações ao invés de uma. Tudo depende do quanto ela vai lutar… ou aceitar.
Norman já começava a abrir um portal entre os mundos, traçando o caminho com sal lunar e sangue de mirtilo. O tempo estava acabando.
— Você vai até ela? — perguntou Morgath.
Selene olhou novamente para a lua rubra no céu.
— Não. Ela vem até mim.
Continue...
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