Além do Segredo
Capítulo 24 – O Outro Lado da Porta
Ao atravessarem a porta, Carolina e Beatriz foram envolvidas por um vazio absoluto. Não havia luz, nem som. Era como se o mundo tivesse sido apagado, e elas flutuassem em uma espécie de espaço entre os espaços, onde o tempo não existia.
A sensação de não ter peso, de estar suspensa no nada, foi quase aterradora. O único sinal de que estavam realmente em algum lugar era a sensação de calor que começou a irradiar lentamente de seus corpos, como se estivessem sendo observadas por algo invisível.
Beatriz se virou para Carolina, a expressão ansiosa.
— Onde estamos, Carolina? O que é isso?
Carolina não sabia o que responder. Tudo estava silencioso demais. Não havia paredes, nem chão, nem céu. Apenas o vazio absoluto.
Foi quando uma linha tênue de luz surgiu à frente delas. Ela não era como uma lâmpada comum, mas algo mais etéreo, mais distante, como se a própria luz fosse uma lembrança de algo perdido. A linha de luz se expandiu lentamente, tomando forma.
E, à medida que a luz se espalhava, começaram a surgir figuras.
Figuras que não tinham corpo, mas eram como sombras flutuando na luz. Não eram humanas, mas também não eram criaturas desconhecidas. Eram ecos de algo que já havia existido, formas que pareciam ter sido arrancadas de um passado distante, talvez de um futuro que nunca seria.
Carolina sentiu o frio subir pela espinha. Essas formas pareciam estar observando-as, mas não com hostilidade. Havia algo mais... algo mais profundo, como se estivessem aguardando um movimento delas, uma decisão.
Beatriz apertou o braço de Carolina, sua respiração mais pesada agora.
— O que são eles? — Beatriz perguntou, os olhos grandes, absorvendo tudo ao seu redor.
Carolina não tinha uma resposta. Ela sentiu que as figuras não eram inimigas. Não eram ameaças. Mas eram parte de algo maior, algo que ela não compreendia completamente.
De repente, a luz se intensificou, e uma figura central emergiu de entre as sombras. Era diferente das outras. Tinha uma forma mais definida, mas ainda assim, não era completamente física. Era como se estivesse em movimento constante, uma forma que mudava, como se fosse feita de pura energia.
A figura olhou para Carolina e Beatriz com olhos que não estavam ali. Olhos que pareciam ver além do que se via, penetrando nelas, até o fundo de suas almas.
"Vocês chegaram até aqui. Mas o que querem realmente?"
A voz não vinha de um lugar específico. Ela parecia surgir de todas as direções, preenchendo o espaço e, ao mesmo tempo, sendo parte do silêncio. Era uma voz cheia de sabedoria, mas também de mistério.
Carolina engoliu em seco, sua voz saindo em um fio de som.
— O que somos nós, agora? Estamos no final? Ou começando de novo?
A figura central não respondeu de imediato. Ela flutuou no espaço, seus movimentos suaves e fluidos, como se estivesse contemplando as palavras de Carolina.
"O fim e o começo não existem aqui. Vocês estão em um limbo. O que o Vigia, o ciclo, e o jogo representam são formas. Mas formas mudam. A pergunta que vocês devem fazer não é sobre o fim ou o começo. Mas sobre o que vocês querem."
Beatriz parecia confusa, mas Carolina sentiu algo dentro de si se alinhar. A luz que preenchia o vazio não era apenas uma luz. Era uma manifestação do que elas eram, do que haviam se tornado.
A figura central parecia esperar. Carolina sentiu que algo precisava ser feito, mas o que?
— O que fazemos aqui? — Carolina questionou novamente. — O que devemos buscar neste lugar?
"Vocês não estão aqui por acaso. Cada escolha, cada passo, os trouxe até aqui. Este lugar é onde o possível se encontra com o impossível. É onde o que foi e o que poderia ser se unem. E onde vocês escolhem o que será."
A resposta não era clara, mas, ao mesmo tempo, parecia ser a única resposta possível. Carolina entendeu que não havia mais uma única verdade a ser descoberta. Havia múltiplas possibilidades, e ela, Beatriz, e talvez até o Vigia, estavam no centro desse turbilhão de escolhas.
— Então… isso não é sobre um fim. É sobre o que seremos depois disso — disse Carolina, como se tivesse finalmente alcançado a compreensão.
A figura central se aproximou, como se tivesse ouvido seus pensamentos.
"Exato. Mas lembrem-se, em um lugar onde tudo é possível, a maior escolha de todas é escolher o que fazer com o que resta de si mesmas."
As sombras ao redor se agitaram, as figuras pareciam se distorcer ainda mais, e a luz começou a se dividir, criando pequenos caminhos que se ramificavam por todo o espaço. Cada caminho parecia levar a algo diferente. Cada uma das figuras ao redor parecia estar esperando, como se cada uma delas fosse uma parte de uma escolha que as duas precisariam fazer.
"Agora, a escolha está nas suas mãos."
Continue...

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