Além do Segredo




 Capítulo 34 – O Espelho Vermelho

O arco vermelho pulsava como um coração prestes a explodir.

Diferente dos outros, esse não os deixou entrar — ele os sugou.

Carolina, Leo e Beatriz sentiram a pele queimar, como se estivessem atravessando fogo líquido.

E então… silêncio.

O chão era feito de ossos.

O céu era uma cúpula rubra, pulsante, como carne viva.

E ali, no centro do vazio, estava ela.

A menina de cabelos prateados.

Mas agora, seus olhos estavam escuros, e em sua testa brilhava um símbolo estranho — metade espelho, metade sombra.

— Chegaram até aqui — ela disse. Sua voz era a de uma criança… e de uma entidade antiga ao mesmo tempo. — Mas não sabem o que pedem.

Leo se adiantou.

— Você quer ser salva. Nós viemos por isso.

A menina abaixou o olhar. Um sorriso triste surgiu.

— Eu queria… antes. Mas agora é tarde.

Beatriz franziu a testa.

— Por quê?

Do chão, começaram a emergir reflexos distorcidos dos três:

Carolina com olhos ocos e mãos sangrentas.

Leo cercado por fios de sombra, puxando corpos para dentro de um abismo.

Beatriz com o rosto dividido, metade rindo, metade chorando.

A menina apontou para eles.

— Porque para me libertar, vocês terão que enfrentar… a verdade.

As cópias avançaram.

O reflexo de Carolina sussurrou:

— Você gosta do controle. Tem medo de perder. Você quer ser a heroína… mesmo que precise mentir.

Ela congelou por um segundo — mas gritou:

— Eu quero salvar. Não pelo ego. Pelo amor.

Ela atacou sua cópia, que se dissolveu em cristais vermelhos.

O reflexo de Leo sibilou:

— Você já desejou que tudo acabasse. Que ninguém mais te procurasse.

— Você pensou: e se eu ficasse preso? Seria mais fácil.

Leo caiu de joelhos. Mas ergueu o rosto, com lágrimas nos olhos.

— Pensei sim. Mas estou aqui. E isso é o que importa.

A sombra sumiu, como poeira no vento.

Beatriz olhou para a sua cópia.

Ela não disse nada.

Só chorava.

Beatriz se aproximou e a abraçou.

— Tá tudo bem ter medo. Tá tudo bem chorar.

— Mas eu não sou mais só isso.

A imagem brilhou... e desapareceu.

A menina de cabelos prateados caiu de joelhos, chorando.

O símbolo em sua testa desapareceu.

— Vocês… venceram.

O mundo ao redor tremeu.

A cidade começava a ruir.

A menina se ergueu.

— Vocês libertaram a mim… e libertaram a cidade.

— Como assim? — Carolina perguntou.

— Sélamar nasceu da dor esquecida. Das mentiras. Dos medos escondidos.

— Mas agora… a verdade foi dita. O ciclo foi quebrado.

Leo a segurou.

— Você tem um nome?

Ela hesitou.

— Antes… eu me chamava Luma.

Beatriz sorriu.

— Vamos te levar pra casa, Luma.

O chão desfez-se em luz.

Os quatro flutuaram juntos.

E o espelho vermelho… se partiu ao meio.

O mundo de Sélamar desapareceu.

E, quando abriram os olhos, estavam de volta ao parque.

O céu limpo. O ar leve.

O espelho estava quebrado.

Mas eles — Carolina, Beatriz, Leo e Luma — estavam inteiros.

E prontos… para o que viesse depois.


Continue...

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