Além do Segredo
Capítulo 31 – Portões de Sélamar
O mundo virou de cabeça para baixo.
Por um instante, Carolina sentiu como se estivesse flutuando dentro de um espelho quebrado — cada pedaço refletindo um pedaço dela mesma, de Beatriz e de Leo.
Quando aterrissaram, o impacto foi suave, como cair sobre névoa sólida.
Levantaram-se devagar, olhando ao redor.
Sélamar era ainda mais estranha do que as visões prometiam:
As ruas pareciam se curvar para longe deles, como se a cidade respirasse.
As construções tinham formas que desafiavam a lógica — portas no teto, janelas de cabeça para baixo, prédios que se torciam como se fossem feitos de fumaça.
E havia pessoas... ou algo parecido com pessoas.
Silhuetas cinzentas vagavam pelas ruas, seus rostos borrados, seus olhos vazios.
Carolina estremeceu.
— Estamos mesmo em outro lugar — Beatriz murmurou.
Leo se aproximou de uma grande praça no centro da cidade.
Ali, uma enorme estrutura se erguia — como um portão feito de vidro escuro, coberto de inscrições em uma língua que parecia sussurrar para a mente.
— Esse deve ser o Portão Principal — disse Leo. — A saída... ou a prisão.
Antes que pudessem se aproximar, uma figura surgiu.
Não era uma silhueta vazia.
Era alguém real.
Uma mulher de pele muito pálida, cabelos negros até a cintura e olhos vermelhos como brasas.
Usava um manto feito de pedaços de espelho.
Ela sorriu — um sorriso frio, mas curioso.
— Vocês são corajosos de virem até aqui — disse, a voz ecoando de formas erradas, como se muitas vozes falassem junto.
Carolina ficou firme.
— Quem é você?
A mulher inclinou a cabeça.
— Sou apenas uma guardiã.
— Sélamar não é para os vivos. Nem para os livres.
— Cada escolha que fizerem aqui... terá um preço.
Leo deu um passo à frente.
— Estamos aqui para salvá-la — disse, firme. — A menina.
A mulher sorriu de novo, mais sombria.
— Para salvá-la... terão que enfrentar os Três Espelhos.
— E cada espelho mostrará algo que desejam esquecer.
Atrás da guardiã, três arcos surgiram na praça — cada um feito de espelhos diferentes:
um prateado, um negro e um vermelho.
Leonardo sentiu o peso da escolha.
Não seria fácil.
Mas ela olhou para Beatriz, e para Carolina...
E soube que não estavam sozinhos.
— Vamos em frente — ele disse, a voz segura.
A mulher abriu caminho.
— Quebrar os espelhos... ou serem quebrados por eles — sussurrou.
E assim, os três avançaram, prontos para enfrentar os reflexos mais sombrios de si mesmos.
A verdadeira batalha por Sélamar... acabava de começar.
Continue...

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