Além do Segredo

 




Capítulo 30 – A Cidade dos Espelhos

O sol recém-nascido tingia o horizonte quando Carolina, Beatriz e Leonardo voltaram para o parque.

O mundo parecia suspenso, como se estivesse esperando pelo próximo movimento.

Leo caminhava devagar, ainda se recuperando da prisão nas correntes de sombra.

Mas não era apenas o cansaço que o fazia hesitar.

— Eu vi ela — ele disse, a voz rouca. — A menina que me prendeu. Ela... não parecia má.

Beatriz e Carolina trocaram olhares rápidos.

— Quem era ela? — Beatriz perguntou.

Leo fechou os olhos, tentando lembrar.

— Ela estava chorando. Ela não queria me prender... foi forçada.

— Ela disse... "me encontre... antes que eu desapareça de vez."

Carolina sentiu um arrepio estranho correr pela espinha.

Sem precisar combinar, os três começaram a procurar — entre as árvores, entre os caminhos vazios.

E então, perto de um lago coberto por uma névoa fina, viram.

Uma garota de cabelos prateados, sentada na margem, desenhando círculos invisíveis na água.

Ela parecia... quase translúcida. Como se estivesse se apagando.

Leo se aproximou primeiro.

— Você... foi você, não foi? — ele disse, sem raiva. Só tristeza.

A menina levantou o rosto. Seus olhos eram de um cinza tão claro que pareciam feitos de névoa.

— Eu não queria — sussurrou ela. — Eu era prisioneira também.

Beatriz se ajoelhou diante dela.

— Quem fez isso com você?

A menina olhou para o lago e sussurrou:

—Sélamar, onde minha mãe me aprisionou.

A palavra ecoou no ar, vibrando como se tivesse peso próprio.

— Sélamar? — Carolina repetiu. — O que é isso?

— A cidade... do outro lado do espelho — disse a menina. — Onde tudo começou. Onde as sombras nascem. Onde... onde eu fui criada.

Ela estendeu a mão, e algo brilhou na palma:

Um pedaço de espelho, rachado no centro.

— Eles vão me puxar de volta — disse a menina, as lágrimas descendo silenciosas. — A menos que vocês fechem a porta. A menos que me salvem.

Leo tocou a mão dela, e o fragmento brilhou com mais força.

De repente, uma imagem surgiu no espelho:

Uma cidade feita de torres retorcidas, ruas que se dobravam em ângulos impossíveis, pessoas de rostos embaçados caminhando sem destino.

Sélamar.

Beatriz apertou o ombro de Carolina.

— A gente tem que ir lá — ela disse, sem hesitar.

Carolina olhou para o espelho. Para a cidade. Para a menina.

E soube que não havia escolha.

— Vamos salvar você — prometeu.

O fragmento de espelho brilhou uma última vez.

E então, a água do lago se abriu como uma cortina de vidro líquido, revelando um portal.

Carolina, Beatriz e Leo se entreolharam.

Sem mais palavras, deram as mãos e saltaram juntos.

Direto para Sélamar.



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