Entre o Bem e o Mal
Capítulo 17: Ecos do Futuro
Dois anos se passaram desde a Lua Sangrenta.
O Clã das Filhas da Lua não era mais o mesmo. As ruínas foram restauradas, mas com cicatrizes visíveis. Cada pedra carregava marcas da batalha, lembrando a todas que a paz era frágil.
Selene agora liderava o Conselho com firmeza e compaixão. Sua presença era respeitada, mas também cercada de medo. Desde o ritual, ela havia se tornado mais introspectiva, mais silenciosa… como se parte de sua alma vivesse em outro lugar.
Kaela treinava as novas aprendizes. Era paciente, forte — mas às vezes, no meio da noite, acordava com os olhos escuros, murmurando palavras em uma língua esquecida.
As duas continuavam ligadas. Sonhavam as mesmas coisas. Sentiam as dores uma da outra. E, acima de tudo, carregavam o mesmo selo: a lua dividida.
—
Na floresta ao norte do clã, um grupo de caçadoras retornou correndo, pálidas, quase em choque.
— Crianças — disse uma delas. — Três delas. Caminhando sozinhas. E uma… flutuava.
Norman analisou os relatos com cautela. Nada no grimório falava sobre isso… mas os sonhos estavam mudando.
—
Na torre de Nyx, a criança crescera rápido demais.
Não falava. Apenas observava.
Tinha o nome de Lyra.
Irina a alimentava com poções feitas de névoa e silêncio. Nyx a ensinava a manipular espelhos, a ver o passado e o possível futuro.
Um dia, Lyra falou sua primeira palavra. Não foi “mãe”, nem “lua”.
Foi:
— Selene.
De volta ao Clã, durante o festival do equinócio, as aprendizes lançavam feitiços de luz para os céus. Rituais de celebração. Esperança.
Mas Kaela, entre risos e danças, parou.
Sentiu algo gelado na nuca.
Selene, do outro lado do salão, também parou.
Elas se olharam ao mesmo tempo.
E sussurraram juntas:
— Ele acordou de novo.
Continue...
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