Entre o Bem e o Mal
Capítulo 16: Cinzas e Sussurros
O Clã estava em silêncio. O tipo de silêncio que resta após a tempestade. Fumaça subia em espirais dos corredores destruídos, e a floresta ao redor ainda tremia com o eco do confronto.
Selene despertou primeiro.
O teto do templo havia desaparecido, e estrelas frias brilhavam onde antes havia a Lua. Ao seu lado, Kaela dormia profundamente, a respiração ritmada como uma criança recém-nascida.
Selene tentou se sentar, mas seu corpo estava exausto. Não como cansaço físico — mas como se parte dela tivesse sido arrancada… ou selada.
Morgath se aproximou com dificuldade. Seus cabelos estavam mais brancos, a pele enrugada como se tivesse envelhecido anos em poucas horas.
— Vocês não apenas dividiram Umbra. Vocês o reescreveram.
— E isso é bom? — Selene sussurrou.
Morgath hesitou.
— Isso é novo.
—
Kaela acordou.
Havia paz nos olhos dela. Mas também algo diferente. Um traço de sombra no canto da íris. Um peso que antes não existia.
— Eu ainda o ouço — disse ela. — Em sonhos.
Selene assentiu.
— Ele está preso. Mas entre nós duas. Se uma de nós se perder...
— A outra quebra também.
Norman entrou, trazendo dois grimórios resgatados das ruínas.
— Estamos revendo os textos antigos. Aquilo que as fundadoras selaram. Há mais sobre Umbra do que imaginávamos. Fragmentos. Espelhos distorcidos. E uma profecia que foi rasgada... de propósito.
— Rasgada por quem? — perguntou Selene.
Lilith apareceu, limpando sangue da lâmina.
— Provavelmente por alguém que não queria que soubéssemos que… Umbra é um ciclo. Ele não nasce. Ele acorda. Sempre que o equilíbrio entre luz e sombra é quebrado demais.
Kaela olhou para as cinzas do Círculo.
— Então isso pode acontecer de novo?
— Não — disse Morgath, com uma voz firme. — Vai acontecer de novo. A pergunta é… quando.
—
Em uma torre esquecida, além dos limites do mundo visível
Nyx estava diante de um altar antigo, seus olhos queimando em fúria silenciosa. Ao seu lado, Irina, ferida, mas viva.
— Elas pensam que venceram — sibilou Irina.
— Elas apenas criaram a semente — disse Nyx, passando os dedos sobre um espelho escuro. — Umbra é fragmento. Fragmentos podem ser colhidos. Fundidos.
Do espelho, uma imagem surgiu: uma criança. Cabelos prateados, olhos opacos. Dormindo em um berço cercado por trevas.
— A próxima filha da lua já nasceu.
Nyx sorriu.
— E desta vez… será criada por mim.
Continue...
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