Entre o Bem e o Mal
Capítulo 19: O Nome que Nunca Foi Dito
O céu amanheceu cor de ferro.
As corujas de obsidiana caíram, uma por uma, com as asas partidas. As fronteiras, antes protegidas por círculos lunares, se desfaziam como fumaça. Algo caminhava entre mundos.
Selene se reunira com Nyx antes que o sol nascesse.
— Chega de enigmas — disse Selene. — Quem é ele?
Nyx não respondeu de imediato. Apenas estendeu a mão para o espelho rachado, onde ainda vibrava um traço de poder antigo.
— Ele não tem nome, Selene. E esse é o problema.
—
Muito antes das Filhas da Lua…
Antes dos grimórios, antes das torres, antes mesmo das luas cheias contarem os ciclos da magia… havia apenas um círculo. Doze bruxas. Doze dons.
E uma delas, a décima terceira, nasceu fora do tempo.
Não veio da terra. Não veio da lua. Veio do intervalo entre um suspiro e um pesadelo. Ninguém a chamou, mas ela veio. E tudo o que tocava, quebrava.
As doze uniram suas magias e selaram a intrusa entre os reflexos, onde nenhuma criatura viva poderia entrar.
Mas o erro delas foi não dar-lhe um nome.
Porque o que não tem nome… não pode ser esquecido.
—
— Esse ser… — disse Norman, lendo os registros secretos trazidos por Lilith — …não é um espírito. É uma ideia que ganhou forma. Uma ausência que aprendeu a desejar presença.
Kaela observava as páginas antigas.
— Por isso ela vem pelas crianças… — sussurrou. — Porque ainda são frágeis. Espelhos em branco.
—
Lyra dormia flutuando, mas em seu sonho, estava de pé, no centro de um campo de espelhos estilhaçados. E lá, no reflexo de cada caco, uma versão dela mesma cantava uma canção diferente.
Até que uma delas parou de cantar.
E disse:
— Você não é você.
—
Durante uma reunião urgente, o Conselho discutia o que fazer. Lilith sugeriu sacrifício. Norman propôs selar novamente.
Mas Selene se levantou, os olhos brilhando de prateado.
— Não podemos selar o que já atravessou. Não podemos matar o que não vive. Só podemos fazer uma coisa.
Todos a encararam.
— Precisamos dar-lhe um nome.
Silêncio.
Kaela entendeu antes de todos.
— Mas isso… isso significaria… trazê-lo por completo. Ancorá-lo no real.
— Sim — respondeu Selene. — E quando ele estiver inteiro… nós o destruiremos.
—
Na torre de Nyx, Lyra abriu os olhos.
E murmurou, em voz baixa, mas clara como a luz da lua:
— Eu… me chamo…
E então… o chão da torre se partiu.
Continue...
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