Entre o Bem e o Mal



 Capítulo 13: Espelhos da Alma


O Círculo do Tempo estava silencioso. Nem o vento ousava invadir o espaço sagrado. Selene permanecia no centro, de pé entre velas negras, linhas traçadas em cinza lunar e pétalas de flor-morta. O selo em seu braço pulsava como um coração próprio.

Então ela sentiu.

— Ela chegou.

As portas de pedra se abriram com um estalo seco. Kaela entrou, ofegante, os cabelos desgrenhados pela corrida, os olhos brilhando com confusão e medo.

As duas se encararam por longos segundos.

— Você é Selene — disse Kaela. — Eu vi você… em sonhos.

Selene assentiu lentamente.

— E você é a última esperança que tenho.

Kaela deu um passo à frente, instintivamente levando a mão ao selo em seu braço.

— Isso me queima desde que apareceu. Como se algo quisesse me atravessar por dentro. O que é?

— Um elo — respondeu Morgath, surgindo das sombras com a voz grave. — Entre você, Selene… e Umbra.

— Umbra? — Kaela recuou. — O que é isso?

— O fim — disse Lilith, sorrindo. — E talvez o começo, se alguém for tola o bastante.

Selene se aproximou devagar.

— Kaela… Você foi escondida porque nasceu marcada. Não pelo destino — mas pelo equilíbrio. Você tem luz e trevas dentro de si. Como eu. Mas diferente de mim, você ainda não escolheu.

— Escolher o quê? — Kaela sussurrou.

— Carregar o selo. Conter Umbra dentro de si… para sempre.

Kaela cambaleou.

— Isso é loucura. Eu nem sabia quem eu era até ontem.

— Mas agora sabe — disse Morgath. — E o tempo acabou.

O chão tremeu.

As paredes do Círculo brilharam com símbolos antigos, e um trovão abafado ecoou de fora — não do céu, mas das fissuras do véu.

Norman ergueu a cabeça, tenso.

— Nyx chegou. Ela está rasgando os limites da realidade.

Kaela olhou para Selene, os olhos marejados.

— Por que eu? Por que me dar essa maldição?

— Porque eu tive toda uma vida para me preparar — respondeu Selene. — E ainda assim, falhei.

Ela segurou as mãos de Kaela.

— Mas talvez… você possa fazer o que eu não consegui. Não porque é mais forte, mas porque ainda acredita. No bem. Na magia. Em si mesma.

Kaela hesitou. As velas apagaram de uma vez. Um vento gélido atravessou o salão. E então… um sussurro.

— Escolha… ou eu escolherei por você.

Umbra estava ouvindo.

Fora do clã…

Nyx observava a entrada do templo, seus olhos brilhando com o reflexo da Lua Sangrenta. Atrás dela, centenas de sombras, distorcidas e famintas, aguardavam um gesto.

— A alma está rachando — murmurou. — Logo, o selo cairá. E quando isso acontecer…

Ela ergueu a mão.

— Entrem.


Continue...

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