Entre o Bem e o Mal

 


Capítulo 14: Fogo e Véu


O som do primeiro impacto foi como o estalar de um osso gigantesco. As muralhas encantadas do Clã estremeceram, e o céu acima se rasgou em linhas negras como rachaduras num espelho celestial.

Sombras surgiam por entre as árvores — criaturas feitas de escuridão líquida, com olhos brancos e bocas que não paravam de sussurrar.

No interior do Círculo do Tempo, Selene e Kaela estavam de mãos dadas no centro do símbolo ritualístico. Morgath traçava runas ao redor com cinzas de ancestrais. Norman recitava versos antigos, o grimório tremendo em suas mãos.

Lilith observava da borda, sua adaga girando entre os dedos.

— Estão vindo rápido demais — disse ela, com um brilho estranho nos olhos. — Espero que sua alma esteja à altura, novata.

Kaela tremia, mas não recuava. O selo em seu braço brilhava como ferro em brasa. As veias próximas à pele começavam a escurecer, como se algo estivesse tentando atravessá-la por dentro.

— Está… doendo — disse ela, ofegante.

— Isso é Umbra tentando entrar — explicou Selene. — Você precisa manter o foco. Não abra o coração para o medo.

Kaela a olhou com lágrimas nos olhos.

— Mas eu tenho medo.

Selene apertou sua mão.

— Eu também.

Lá fora, o primeiro dos portões caiu. Gritos ecoaram. As bruxas do Clã erguiam feitiços defensivos, formando muralhas de luz e círculos de fogo. Norman parou por um segundo para olhar.

— Não vamos aguentar muito tempo.

Morgath lançou sal lunar ao centro do círculo. Um brilho forte explodiu, e uma figura começou a se formar entre Selene e Kaela — um vulto humanoide, sem rosto, coberto de olhos que giravam lentamente.

Umbra.

— Escolham… — sussurrou a entidade. — Ou escolherei por vocês.

Kaela gritou. As runas ao redor tremeram. Selene tentou segurá-la, mas Kaela foi lançada para trás, batendo contra uma pilastra de pedra.

O selo nos dois braços explodiu em chamas negras.

— É agora! — gritou Morgath. — Selene, decida!

Por um instante, tudo parou. O tempo parecia segurado por fios invisíveis. O céu lá fora era um olho rubro observando.

Selene fechou os olhos… e saltou para o centro do círculo.

— Eu escolho. Deixe Kaela ir. Leve a mim.

Umbra sorriu — não com boca, mas com cada um de seus olhos se fechando lentamente, como em aprovação.

Mas antes que o ritual selasse… Kaela gritou.

— Não!

Ela voltou ao círculo, segurando Selene com força. As duas ficaram presas entre a luz e a sombra.

E Umbra… hesitou.

Do lado de fora

Nyx chegou aos portões finais. As bruxas caíam, uma a uma, engolidas pela escuridão. Ela ergueu a mão, pronta para o golpe final, quando sentiu algo mudar no ar.

O céu… se partiu em dois.

Dentro do Círculo

Luz e escuridão colidiram.

Kaela e Selene foram erguidas no ar, os selos se unindo, criando um terceiro símbolo entre elas: a Lua completa, entre duas sombras em arco.

Morgath cambaleou.

— Elas estão... fundindo os destinos.

Lilith largou a adaga.

— Isso… nunca aconteceu antes.

Norman só conseguiu murmurar:

— Ou selam Umbra… ou se tornam parte dele.


Continue...

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